segunda-feira, 11 de novembro de 2013

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Hoje sinto-me triste...tão triste que só me apetece chegar a casa e dormir. Daqueles dias que nem o sorriso e alegria da minha filha me alegram... Só me apetecia adormecê-la e ficar ali, a dormir abraçadinha a ela. Mais nada. Sem ouvir ninguém.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Confesso.

Confesso que tenho algum medo que este casamento esteja ou já tenha chegado ao fim...
Confesso que não me habituei a viver sem a clássica paixão dos primeiros tempos e aprendi que não consigo de forma nenhuma viver sem ela. Talvez eu não tenha sido talhada para casar e ter esse tipo de relacionamento.

Confesso que nunca perdoei o que os meus sogros me fizeram no início de vida em comum, apenas por eu já ter uma filha pequena, puro preconceito...e por tudo o que fizeram ao longo de todos estes anos, que me destabilizaram emocionalmente e me feriram de morte.
Confesso que quando conheci o G. pensei mesmo que ele sería o homem da minha vida, aquele tal...e confesso que não consigo esconder a desilusão de não termos conseguido formar uma família feliz.

Confesso que foram muitas e determinadas pequenas coisas, aqui e ali, que ao fim de um tempão acrescem a outras determinadas coisas, à falta de vontade de beijar, à falta de vontade de qualquer tipo de intimidade, ao desejo de outras coisas...à completa incapacidade de dialogar sobre o que quer que seja...

É verdade que podería aqui apontar mil e umas coisas com as quais ele me desiludiu, a sua péssima relação com a F., a mimadice dos paizinhos, a falta de paciência e de mimo para a F., a falta de jeito com uma mulher, a falta de jeito e de apetências emocionais e físicas para tantas outras coisas importantes, enfim...mas eu própria tenho também alguns mil e um defeitos, por isso...enfim...Pena tenho eu de chegar a esta conclusão...

O que me fez agora chegar a este ponto, a esta encruzilhada? O facto de ele achar que poderíamos ter um filho. Um filho...como se um filho fosse solução de alguma coisa. Como se viesse ajudar e solucionar o que já não tem solução!!!! Quando todos me pressionam para este acontecimento, como se fosse uma obrigação minha dar um filho a alguém que ainda não tem, como se de uma prenda se tratasse, como...sei lá...eu até me faltam as palavras.

E neste impasse que é o meu casamento, já lhe disse que não vai ser possível. Porque não existe sequer estabilidade emocional entre nós os dois, entre nós os três para tal. Eu até entendo que, para quem ainda não teve filhos, que ache que é uma "coisa" muito fácil, que "vamos lá ver como corre, vai ser bom"! Mas caramba, não o é! E eu bem sei disso.

Se é egoísmo? Pode ser sim. Mas eu não me importo minimamente com o que pessoas que não são minhas amigas, não me conhecem verdadeiramente, possam opinar sobre isso, nem sequer lhes dou esse direito.
E além do mais, quando não se conseguiu ser um padrasto à altura, um marido e homem carinhoso...não obrigado. Eu dou muito valor à minha vida. E sinceramente, so meus sogros não merecem que lhes dê um neto. Desculpem lá a dureza.
Não se tem um filho porque sim. Tem-se um filho por amor, com famílias estruturadas, com avós dedicados, com famílias felizes. Desculpem a frontalidade, posso magoar quem quer ter filhos nessas condições, eu respeito, mas eu não obrigada. E depois do que "fizeram" à minha filha, tantos anos depois ainda nem sequer são emocionalmente ligados a ela, desculpem mas não.

Se isto será o fim? Não sei. Se ele tem direito a ser pai e se me consigo colocar na sua posição? Claramente que sim. Mas entre ele e eu e a minha filha, claramente não o escolho a ele.


Devaneios

Confesso que ao fim de tantos anos ainda não me consegui encontrar. E verdade seja dita, nem sei se algum dia o conseguirei fazer. Continuo, por mais que os anos passem, a desculpar-me interiormente com o facto de não ter tido uma infância e uma família normais, é verdade. Tretas...Mesmo depois de saber que existem tantas pessoas que passaram por coisas bem mais tristes do que as minhas e recuperaram bem. Mas eu não consigo. Desculpem se não fui e se não sou capaz...

Continuo, após os 30, a sentir a falta do meu pai, de um pai que vive a vida dele sem de mim e da neta querer saber. De um pai que eu queria tanto ter por perto, mas que apenas existiu dentro de mim e do meu coração.
Continuo sem ter a mínima relação com os meus irmãos, adoro-os do fundo do coração, mas a herança familiar que nos deixaram foi este afastamento de emoções e de convivência pacífica e amiga.
E a minha mãe, enfim...a minha mãe...Eu nem sei explicar o que sinto por ela. Nem preciso. O pior mesmo é sentir. É um misto de amor, com mágoa, com pena, com vontade de afastamento, sei lá...Sempre preferi afastar-me para não sofrer ainda mais. 
Cortei a partir do momento em que saí de casa, com quase tudo o que me ligava emocionalmente aquela casa. Pensava eu...Continuo a sentir-me a mesma miúda da altura, que apenas queria atenção e carinho e uma família estruturada e organizada como tantas outras que vía por aí.

Não uma família como aquela...E assim que consegui dali fugir fugi. Hoje sinto pena. Acho que apenas sinto isso. De uma vida mal vivida, de uma vida de sofrimento, desespero e coisas completamente estúpidas que a minha mãe fez. E hoje está sozinha. A colher o que plantou. Posso parecer dura e só eu sei o que me dói escrever isto, mas durante algum tempo desejei até que já não existisse mais, para não sofrer mais e não me fazer sofrer...Agora tento ignorar, mas é difícil passar um dia da minha vida sem ter vontade de chorar...

Sei que não me posso ir abaixo, como costumo dizer não me posso dar ao luxo de grandes depressões nem ataques de ansiedade (mesmo que eles andem por aqui sempre a rondar...) tenho uma filha que precisa de mim, que apenas me tem a mim e é realmente o melhor do mundo. 
E é por ela que aqui estou ainda, é por ela que vivo e que continuo a tentar seguir em frente. Porque ela será diferente do que eu fui e será muito muito melhor e mais bem resolvida e muito mais feliz do que eu.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

Abraço bom


Confesso que a melhor sensação que tenho na vida é a de abraçar a minha filha. É verdade que já não é um bebé, mas é a minha filha. O meu amor. E é um amor tão profundo e tão forte, que nunca em tempo algum eu pensei que pudesse amar assim. Continuo sem entender nem aceitar as pessoas que não gostam de abraçar os filhos, de lhes dar mimo, de lhes sorrir. Sou incapaz de me deitar sem a abraçar, sem a beijar. Sou incapaz de chegar perto dela, depois de um dia de trabalho sem a ver, sem a ouvir, sem a abraçar e sem a beijar. Sou incapaz de a acordar de manhã sem um sorriso e sem a "cheirar" e dar-lhe o meu mais profundo e caloroso abraço...

A melhor sensação que tenho é a de me deitar na minha cama com ela, de a abraçar e de a mimar :) Ontem disse-me "obrigada mãe", antes de adormecer...Nem sei bem porquê,fiquei em silêncio...acho que foi derivado da conversa de eu lhe ter dito que o primeiro dia de escola ía correr bem e de ela ter chegado a casa a questionar como é que as mães sabiam sempre tudo...

Amo-a tanto que acho que chega a doer. A doer de saudade, de preocupação...de saber que cada dia a posso proteger cada vez menos. Do mundo, das pessoas. Esta entrada no 5ºano e numa nova escola, cheia de "miúdos grandes" está a comunicar-me um pouco com os nervos e sinto-me um bocadinho descompensada...
Sei que será um dia de cada vez. É sempre assim. Foi assim comigo. Todos nós adultos já passámos pelo mesmo. Neste momento preferia passar por tudo, tudo em vez dela...Pode ser exagero, eu sei, mas é uma sensação terrível de desamparo e de falta de protecção...

Vou continuar a abraçá-la. Sempre. Sempre...

Mãe sofre...

Começo este blogue por uma necessidade imensa de escrever, desabafar e partilhar sentimentos e emoções de uma mãe. Após o início da escola da F. (menina linda de dez anos), numa escola nova, num mundo novo, dei por mim a pensar como dez anos passam a correr...e como voltei a desejar que ela regresse às fraldas, às noites mal dormidas e às graçinhas de bebé... Sinto-me ansiosa, desprotegida e tenho tantos receios...

Enfim...

Resumo do 1ºdia: chegada à escola de manhã super nervosa, não me queria largar mas depois lá foi. Sem conhecer ninguém da turma e muito menos a escola lá foi ela com uma coleguinha que encontrámos ao portão em busca da sala!!!

Quando vim embora deu-me um ataque de choro...a terrível sensação de que a estava a entregar aos leões. Quando a fui buscar parecia que o meu coração se renovava: "o que achaste filha?" resposta dela: "buéééé fixe, mãe" (com um largo sorriso :) E assim veio, feliz e contente, a adorar a vida nova... Para mim, bem cá dentro, vai ser sempre a minha menina, a minha bebé...