quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Devaneios

Confesso que ao fim de tantos anos ainda não me consegui encontrar. E verdade seja dita, nem sei se algum dia o conseguirei fazer. Continuo, por mais que os anos passem, a desculpar-me interiormente com o facto de não ter tido uma infância e uma família normais, é verdade. Tretas...Mesmo depois de saber que existem tantas pessoas que passaram por coisas bem mais tristes do que as minhas e recuperaram bem. Mas eu não consigo. Desculpem se não fui e se não sou capaz...

Continuo, após os 30, a sentir a falta do meu pai, de um pai que vive a vida dele sem de mim e da neta querer saber. De um pai que eu queria tanto ter por perto, mas que apenas existiu dentro de mim e do meu coração.
Continuo sem ter a mínima relação com os meus irmãos, adoro-os do fundo do coração, mas a herança familiar que nos deixaram foi este afastamento de emoções e de convivência pacífica e amiga.
E a minha mãe, enfim...a minha mãe...Eu nem sei explicar o que sinto por ela. Nem preciso. O pior mesmo é sentir. É um misto de amor, com mágoa, com pena, com vontade de afastamento, sei lá...Sempre preferi afastar-me para não sofrer ainda mais. 
Cortei a partir do momento em que saí de casa, com quase tudo o que me ligava emocionalmente aquela casa. Pensava eu...Continuo a sentir-me a mesma miúda da altura, que apenas queria atenção e carinho e uma família estruturada e organizada como tantas outras que vía por aí.

Não uma família como aquela...E assim que consegui dali fugir fugi. Hoje sinto pena. Acho que apenas sinto isso. De uma vida mal vivida, de uma vida de sofrimento, desespero e coisas completamente estúpidas que a minha mãe fez. E hoje está sozinha. A colher o que plantou. Posso parecer dura e só eu sei o que me dói escrever isto, mas durante algum tempo desejei até que já não existisse mais, para não sofrer mais e não me fazer sofrer...Agora tento ignorar, mas é difícil passar um dia da minha vida sem ter vontade de chorar...

Sei que não me posso ir abaixo, como costumo dizer não me posso dar ao luxo de grandes depressões nem ataques de ansiedade (mesmo que eles andem por aqui sempre a rondar...) tenho uma filha que precisa de mim, que apenas me tem a mim e é realmente o melhor do mundo. 
E é por ela que aqui estou ainda, é por ela que vivo e que continuo a tentar seguir em frente. Porque ela será diferente do que eu fui e será muito muito melhor e mais bem resolvida e muito mais feliz do que eu.


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